quarta-feira, 9 de abril de 2008

Migração do blog

Estamos de mudança. Se tudo correr bem, em breve usaremos a plataforma de publicação WordPress, desenvolvida na linguagem PHP com o banco de dados MySQL. E, algo que já deve ser óbvio, juntamente do servidor HTTP Apache, executado sobre o sistema operacional GNU/Linux. Todas essas ferramentas, em conjunto, formam a famosa plataforma LAMP, contando com a segurança e a estabilidade do código aberto, disponíveis sob licenças GNU GPL ou outras também consideradas de software livre, utilizadas em milhares, senão milhões, de servidores ao redor do planeta.

O novo endereço, sem trocadilhos, será: blog.daltux.com

quinta-feira, 3 de abril de 2008

FLISOL 2008, etapa Maringá/PR

Conforme anunciado por André Noel, será realizado no sábado, 26 de abril, a edição 2008 do Flisol. O evento ocorrerá durante todo o dia no auditório da FADEC, no campus da UEM. O principal atrativo do evento será a famosa install fest, onde qualquer usuário pode levar seu computador para ter software livre (especialmente distribuições GNU/Linux ou BSD) instalado, além de poder tirar dúvidas com pessoas experientes e envolvidas no assunto. Ademais, serão realizadas palestras e planeja-se ainda montar um espaço, talvez algo semelhante a uma LAN house, para demonstração de jogos em software livre.

Ao que parece, as próprias palestras serão muito interessantes. Eis os títulos, ainda provisórios:

  • Eu acredito em GNOME!
  • Programação em Python
  • Nas asas do Ubuntu 8.04
  • Desktop Livre
  • Criação de Imagens de Instalação de Software Livre
  • Conhecendo e Viajando na Filosofia de Software Livre

FLISOL Maringá-PR

Confira os detalhes no site da etapa maringaense e no site geral do evento, que será realizado em diversas cidades no Brasil e em toda a América Latina.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Dicas rápidas sobre criptografia usando GnuPG

GnuPGComo no final do artigo anterior foi sugerido o uso de criptografia, apresentamos agora algumas fontes de informação e ferramentas a respeito do tema.

Eis um tutorial muito completo sobre GPG: Usando o GnuPG, útil para todos, mas focado especialmente em usuários de terminais GNU/Linux, onde geralmente o GPG já vem instalado.

No Ubuntu (Gnome), por exemplo, o utilitário gráfico Seahorse (menu Aplicações / Acessórios / Senhas e Chaves de Criptografia) é o método mais fácil de gerenciar seu chaveiro. O cliente de e-mail e organizador pessoal Evolution já vem com suporte ao GnuPG.

Até para usuários das "Janelas" de Redmond, também existe um pacote muito bom, contendo as ferramentas necessárias, convenientemente chamado "Gpg4Win".

Independentemente da plataforma, instale também a extensão FireGPG para o navegador Mozilla Firefox, permitindo a utilização facilitada de criptografia de textos juntamente com qualquer página, inclusive webmails.

Finalmente, para o Mozilla Thunderbird, é indispensável a extensão Enigmail, permitindo a integração desse magnífico cliente de correio com o GPG.

É interessante salientar ainda que essas ferramentas servem não apenas para criptografia em si, ou seja, esconder informações de quem não deve ter acesso a elas, mas também são utilizadas para assinatura digital, ou seja, atestar a integridade de determinado conteúdo e/ou sua autoria.

Soluções centralizadas Google, facilidade versus privacidade: um esboço sobre o dilema

Muitas organizações têm aderido a soluções de correio eletrônico e outras ferramentas colaborativas, tudo concentrado pelo Google, que oferece tanta facilidade sem cobrar nada ou quase nada. Muito bom. Contudo, algo que não se pode esquecer é da importância de certa privacidade sobre as informações, especialmente no caso de setores estratégicos.

Desde a fundação do serviço de e-mail do Google, o Gmail, entidades voltadas à proteção da privacidade já alertavam do problema: a própria publicidade que sustenta o serviço é gerada com base no conteúdo das mensagens do usuário. Por outro lado, o provedor afirma que este mecanismo é totalmente automático, sem interferência humana. Pior ainda, diriam alguns.

Algo que já era pra se desconfiar, fica ainda mais nebuloso conforme notícia veiculada pela Folha de S. Paulo na última quarta-feira, intitulada "Lei dos EUA permite que governo espione dados de empresas estrangeiras". Segundo as fontes da matéria, cuja leitura veementemente recomendamos, as organizações demoraram para perceber os riscos da utilização de ferramentas como essas oferecidas pelo Google, especialmente por serem hospedadas nos EUA.

É óbvio que a centralização das informações nos servidores do Google tem facilitado a vida de muitas pessoas. Inclusive deste que vos escreve. O presente texto, ao menos no momento de sua publicação original, está hospedado nos servidores dessa empresa.

Certamente, uma vantagem ideológica muito relevante dos serviços do Google é a não tentativa de formar um monopólio forçado à moda de Redmond. Sua grande conquista do mercado tem se baseado mais na simplicidade, interoperabilidade e adoção de padrões abertos de comunicação. Contudo, dever-se-ia pensar duas vezes antes de deixar tantas informações estratégicas em poder de uma (única) empresa e, por conseguinte, ao governo de um país estrangeiro.

Uma forma relativamente simples de minimizar o problema? Criptografia. Recomendamos o sistema GnuPG (GNU Privacy Guard), derivado do famoso PGP (Pretty Good Privacy ou "Privacidade muito boa"), disponível em inúmeras plataformas. Eis um excelente site em língua portuguesa a respeito desse sistema: Cripto.info.

Desejando enviar-nos uma mensagem cifrada, peça-nos nossa chave pública.

Veja mais: Dicas rápidas sobre criptografia usando GnuPG

sexta-feira, 21 de março de 2008

Liferea - Linux Feed Reader - pequeno tutorial

O Liferea (Linux Feed Reader), como sugere seu nome, é um leitor de notícias para Linux. De acordo com nossos testes, ele cumpre a promessa de ser rápido, fácil de usar e de instalar, perfeito para o ambiente Gnome.

Ele está nos repositórios oficiais do Ubuntu e do Debian. Para instalá-lo nessas distribuições, mande instalar o pacote liferea. Para tanto, procure por esse termo no Gerenciador de Pacotes Synaptic ou então basta digitar o seguinte no terminal de comando:

sudo apt-get install liferea

O programa, ao menos no Ubuntu, já vem configurado com várias fontes de notícias sobre software livre, nacionais e internacionais.

Captura de tela do Liferea no Ubuntu Hardy Heron 8.04Seu uso é muito simples, tanto que nem compensa explicar muito. Por exemplo, para adicionar uma nova fonte de notícias, estando já na posse de um endereço do famoso feed, basta clicar com o botão direito do mouse sobre a lista de canais de notícias, Nova, Nova Assinatura. Cole o URL ali e clique em OK. Periodicamente, o Liferea verificará se há atualizações nas fontes.

Como obter um URL de fonte de notícias? Nosso colega Lucas redigiu um artigo explicando isso no blog SI Maringá. Ele explica como pegar o endereço do feed daquele blog, mas isso se aplica a muitos sites. Inclusive este. Para quem ainda não descobriu onde encontrar, eis o endereço do feed do Blog-O-Dalton: http://feeds.feedburner.com/BlogODalton

Para os desavisados, os principais navegadores hoje informam com o típico ícone na própria barra de endereços quando o site possui feed. Experimente clicar sobre ele.

Destaque do ícone de feed na barra de endereço do Firefox 3

terça-feira, 18 de março de 2008

Como descascar um ovo cozido!

Eis um jeito muito prático para descascar um ovo cozido:



Que ninguém diga que é mentira, pois fiz isso com sucesso e fiquei impressionado!

Só não vale fazer isso com o ovo alheio! Hahaha! Sem trocadilho!

Mas agora fiquei com a pulga atrás da orelha: o que impede de fazerem isso nos restaurantes?

segunda-feira, 17 de março de 2008

Resenha do livro O assalto planetário: a face oculta da Microsoft

Prefácio

A resenha foi publicada originalmente em 11 de fevereiro de 2003. Naquela ocasião eu ainda cursava Direito na Universidade Estadual de Maringá, morava sozinho ou em república e, com o propósito de substituir uma máquina de escrever, contava apenas com um laptop Epson 486 com 4MB de RAM, apelidado de Tamagoshi, que rodava MS-DOS 6.22, Windows 3.1 e Word 6.0, sem acesso à Internet.

É interessante lembrar como estava a situação do mercado na época em que a obra foi escrita (1998). A Microsoft estava começando a dominar um mercado em que tinha entrado tardiamente, a Internet. Hoje isso tem sido relativizado, com o advento do Google, do browser Firefox, o desenvolvimento de interfaces amigáveis ao usuário no mundo GNU/Linux, que alavancou sua utilização além dos servidores, e até o ressurgimento da Apple, que quase desapareceu em meados da década passada. Deve-se notar inclusive que as últimas versões do sistema operacional do Macintosh, MAC OS X, são também baseadas em Unix (BSD).

Enfim, lembrei dessa resenha após ter lido uma notícia via feed da Folha de S. Paulo, intitulada "Google diz que negócio Microsoft-Yahoo! põe em risco a abertura da internet". Embora o mercado da Internet tenha se diversificado e esse alegado domínio seja algo bem improvável, não é impossível e há sim grande probabilidade de que a empresa situada na região metropolitana de Seattle faça alguma tentativa nesse sentido. Mais do que um assalto planetário, há quem afirme que a política comercial dessa corporação é análoga à tática do tráfico de drogas.



Comentários a O assalto planetário: a face oculta da Microsoft.

Dalton Scavassa


www.daltonsc.hpg.com.br

11 de fevereiro de 2003.

Roberto di Cosmo é doutor pela Universidade de Pisa, Itália, docente e pesquisador de Informática da Escola Normal Superior de Paris, França. Dominique Nora é repórter do semanário francês Le Nouvel Observateur e autora de vários livros, entre eles Os conquistadores do ciberespaço (Lisboa: Terramar, 1996).

Essa obra (O assalto planetário), uma entrevista, descreve minuciosamente e de forma extremamente didática como a Microsoft vem ambicionando — e a meu ver já está na iminência de — controlar totalmente todas as formas de transmissão e de tratamento da informação. Todas as áreas, como a educação e as transações bancárias, nos atuais e nos futuros meios de comunicação social, bem como a intimidade da vida privada, podem estar sujeitos à gigante de Seatlle.

Di Cosmo denuncia: “Hoje em dia a expressão ‘sociedade da informação’ não é um termo vão. É difícil encontrar um bem mais importante que a informação, serviços mais estratégicos do que os que dizem respeito à sua criação, transmissão e manipulação. Se uma única empresa – neste caso a Microsoft – conseguir, como ambiciona, alcançar o monopólio quase total da cadeia mundial da informação e das comunicações, ela passará a representar um perigo para a democracia” (p. 12, grifo nosso).

O Big Brother do romance 1984, de George Orwell, não é nada relacionado com o que estamos sujeitos diante de uma única empresa controlando toda a cadeia da informação. Naquela ficção os indivíduos sabiam que estavam sendo espiados, podendo se precaver e se dissimular diante das câmeras de vídeo. Isto não seria possível, segundo o autor, face às tecnologias atuais que regem o cotidiano do “mundo informático”. Hoje utilizamos estas tecnologias com toda a confiança ao utilizarmos o correio eletrônico, o telefone celular, ao redigirmos textos, ao pagarmos nossas contas e, enfim, ao consumir. As empresas também não estariam de fora, já que “confiam todos os seus segredos estratégicos às redes informáticas”. O aviso: “Ora é tecnicamente possível conservar vestígios de todas estas informações sem que ninguém saiba e sem recorrer a câmaras bem visíveis. [...] Estes dados condicionam muito mais nossa vida privada do que o simples facto de nos espiarem em nossa casa, com o auxílio de uma câmara facilmente localizável... Sobretudo se estas informações caírem nas mãos de uma única empresa” (p. 14).

“Se a Microsoft conseguir de facto dominar simultaneamente os sistemas operativos [operacionais] dos computadores pessoais, as redes de comunicação, os programas de navegação e a inteligência dos servidores de informação que constituem a rede Internet, o grupo [...] teria de facto o poder de decidir, de uma forma dissimulada, quem teria acesso à informação” (p. 15).

É fato, segundo o autor, que a Internet se desenvolveu graças a linguagens e protocolos abertos, como HTML, TCP/IP, o Berkeley Internet Name Daemon e o Perl. Esta base de modelos abertos e públicos é o que permite que os usuários possam trocar livremente informações entre todas as plataformas, seja “Wintel” (Windows/Intel), Macintosh, Sun, HP, IBM, NeXT, Atari ou Amiga.

A Microsoft domina os sistemas operacionais com o Windows e já desbancou o mercado de browsers com o Internet Explorer. Se (ou quando) conseguir dominar também o mercado de servidores com o seu IIS (Internet Information Server), atualmente representado em mais de 50% pelo Apache, programa aberto, o mundo da informação estará em situação complicada.

Dominando os sistemas operacionais, os navegadores e os servidores, a Microsoft poderá facilmente impedir a compatibilidade entre plataformas e que concorrentes façam produtos compatíveis com os dela. E ainda: ninguém poderia entender como estas máquinas se comunicariam entre si, ou seja, a liberdade e a vida privada estaria em grave perigo. “[...] numa economia mundializada e ultracompetitiva, seu perfil de consumo vale ouro. Quem souber quais são as suas tendências culturais, as cidades que gostaria de visitar, os produtos que lhe interessam, os brinquedos preferidos dos seus filhos, etc., poderá propor-lhe os bens e os serviços que correspondem exactamente aos seus gostos” (p. 16). Hoje isto já é de certa forma feito, através dos cookies, mas esta prática, segundo o autor, foi identificada e denunciada justamente pelo fato de se basearem, por enquanto, em protocolos abertos. Se as comunicações estiverem “codificadas no sigilo comercial de uma linguagem específica, ninguém poderá saber o que seu próprio microcomputador ‘diz’ à rede” (p. 17). As empresas que utilizam estas técnicas dizem que “prever nossos desejos” é para nosso próprio bem. “Mas será que queremos abdicar do nosso livre arbítrio em nome deste ‘angelismo’ comercial?” (loc. cit).

“Bill Gates sabe perfeitamente, e essa é a sua maior angústia, que o microcomputador não será eternamente a única porta de acesso à Internet. Os terminais de acesso vão diversificar-se. A Microsoft tenta, pois, empurrar a sua solução e os seus modelos para todos os nichos emergentes: o Windows CE tornou-se já o sistema operativo vulgar das agendas electrónicas, apesar de, como é habitual, os melhores produtos neste domínio (como o PalmPilot ou o Psion) não o utilizarem” (p. 19). A televisão interativa, os consoles de videogame, os telefones celulares, os computadores de automóvel, tudo aquilo em que puder, a Microsoft desejará estar presente com seus softwares, a fim de dominar todo o mercado da informação.

Aliás, Bill Gates (pessoa física, não a Microsoft), aliado a um bem-sucedido empresário americano da telefonia móvel, Craig McCraw, fundou a Teledesic, empresa que pretende [o livro é de 1998] lançar 288 satélites, que poderia fazer concorrência a qualquer rede terrestre clássica de telecomunicações (p. 21). Tudo indica que serão utilizados neste projeto os softwares Microsoft.

Declara ainda o pesquisador que o ramo de software é mais importante estrategicamente do que o de hardware, já que “é muito mais fácil clonar um chip do que um programa complexo. [...] Aliás, há muito tempo que a AMD, a Cyrix e a IBM produzem chips que fazem funcionar o Windows tão bem como os da Intel, e por muito menos dinheiro” (p. 13). Ora, eu mesmo estou diante de um laptop equipado com microprocessador da extinta Cyrix, um 486 SLC, 50 MHz, e já tive ainda um antigo desktop equipado com Cyrix 486 DLC 40 MHz. Nunca tive qualquer problema por não estar usando um PC com “Intel Inside”. Ou seja, o monopólio da Intel não é tão importante quanto o da Microsoft. “A Microsoft e a Intel estão aliás muito ligadas. A Intel produz chips cada vez mais poderosos para motorizar softwares Microsoft cada vez mais pesados, que por sua vez nos obrigam a mudar de computador cada vez mais depressa... e consequentemente a deixar cada vez mais dinheiro nas caixas registradoras destes dois cúmplices” (loc. cit.).

O autor desmistifica a história da Microsoft. Aliás, há um filme interessante, relativamente recente, sobre o início da Microsoft e da Apple.

A linguagem Basic — John Kemeny e Thomas Kurtz, em 1964, é que criaram a linguagem Basic. Bill Gates e Paul Allen somente criaram um interpretador daquela linguagem para o microcomputador Altair.

O IBM PC e o MS-DOS — Os computadores pessoais, no final da década de 1970, começaram a ser utilizados na contabilidade das pequenas empresas, com o advento do programa Visicalc. Até então eram coisa de apaixonados, nada que ameaçasse a homogenia da IBM e seus sistemas enormes acessíveis somente aos governos e grandes instituições ancárias. Com os Apple e Commodore começando a entrar no comércio e nas pequenas empresas, a IBM precisava apresentar um produto dela para evitar perder seu quase monopólio, mesmo não acreditando verdadeiramente no computador pessoal. Prova disso é que nas grandes máquinas todas as peças eram fabricadas na própria empresa, enquanto nos primeiros IBM PCs, “só o teclado é que era da IBM... O resto fora descoberto no mercado: a Intel fornecera o processador 8008, e a Microsoft, uma empresa criada em 1975, fora solicitada para fornecer o sistema operativo” (p. 23).

Bill Gates e Paul Allen não trabalhavam com sistemas operacionais naquela época, mas se aproveitaram da situação – a IBM não conhecia bem este nicho de mercado – e ofereceram um sistema que compraram (e não inventaram) por 50 mil dólares da pequena Seattle Computer: o Q-DOS, que significava Quick (rápido) and Dirty (sujo) Operating System, produto de total “qualidade”, foi rebatizado de MS-DOS (Microsoft Disk Operating System) e oferecido à IBM, que o inseriu em seu também quick and dirty PC. Entretanto, pasmem, até hoje utilizamos esta plataforma!

Evidentemente, a qualidade do IBM PC, totalmente improvisado, “era muito inferior à do Apple II, mas o poder comercial e o serviço da IBM determinaram a diferença” (p. 24).

A IBM nunca levou o PC a sério: “o mamute não se deu ao trabalho de comprar o MS-DOS nem de assegurar-lhe a exclusividade. Resultado: a Microsoft conseguiu vender depois o MS-DOS – e mais tarde o seu sucessor Windows – a todos os concorrentes da ‘Big Blue’. [...] Ninguém adivinhava que, com a estandardização [padronização] dos produtos Intel e Microsoft e o aparecimento de clonadores asiáticos, todos os lucros – e o poder – da microinformática se concentrariam nos chips e nos sistemas operativos. Você sabe o que se seguiu” (p. 24). Ninguém adivinhava porque na época quem dominava o mercado eram os próprios construtores das máquinas, o que se inverteu depois.

“[...] Os fundadores da Microsoft eram, desde o início, empresários pragmáticos, mais do que visionários da tecnologia. Souberam muito bem identificar as oportunidades e ocupar o lugar antes dos outros, ainda que com produtos medíocres” (p. 24). Isto explica o êxito extraordinário daquela empresa: a astúcia, não a qualidade de seus programas. Hoje, sem saber o que fazer com tanto dinheiro, “a empresa adquire maciçamente as suas próprias acções” (loc. cit). Um exemplo é a escalada da Internet, que foi totalmente ignorada a início por Gates. “Em 1995, bastaram alguns meses a este mastodonte de vinte cinco mil empregados para dar a volta e fazer da Internet o seu eixo de desenvolvimento privilegiado” (p. 25).

Enfim, isto é só o começo de uma discussão empolgante. Di Cosmo comenta muitos outros aspectos do mercado da informática, e a relação com o monopólio do, segundo ele, “mastodonte” de Seattle, cujos produtos, além de tudo são de má qualidade.

O pesquisador ao final (p. 116) dá três opções alternativas, de acordo com o perfil do consumidor:

  1. Ao “público especialista”, como as grandes empresas e as universidades, a quem não tem importância a aparência externa, mas sim a robustez interna do sistema, Di Cosmo recomenda o Linux, o FreeBSD ou qualquer outra versão do Unix, talvez até uma comercial.
  2. Ao “grande público individual”, o consumidor totalmente leigo e que talvez nem sabe se necessita da informática, não recomenda o Linux, devido à sua interface atual, e tampouco a armadilha “Wintel”. Àqueles que querem tão somente se divertir com jogos, recomenda que adquiram um console Sony Playstation, Nintendo ou Sega, mais em conta que PCs e sem armadilhas. Já a quem pretende ter um computador de verdade, a melhor solução seria um Apple Macintosh, enquanto aguarda uma maior evolução didática do Linux. Apesar do Mac não ter a estabilidade do Unix, é bem melhor do que os Wintel e a interface é das mais agradáveis. Seu custo ultimamente tem sido reduzido, com o modelo iMac.
  3. O “público organizado”, intermediário aos outros dois, seria aquele sem conhecimento técnico mas que poderia obter apoio de terceiros. Os profissionais como advogados e médicos poderiam conseguir que suas associações oferecessem apoio técnico qualificado a seus associados. O usuário assim poderia ter um sistema funcional sem se preocupar com aspectos técnicos.

A administração pública poderia utilizar o conhecimento disponível nas universidades para conseguir opções econômicas e confiáveis baseadas em Linux. Poderia ainda ressussitar máquinas antigas utilizando o sistema NewDeal, ao invés de dispender com máquinas excessivamente onerosas exigidas pelo Windows.

Citando o caso da IBM, que resolveu adotar e promover o servidor Apache, ao invés de render-se ao WindowsNT, Roberto di Cosmo afirma que “não é certo que o Linux enterre um dia o Windows. Mas talvez o modelo de criação e divulgação do software livre seja o do futuro... Porque não existe nenhuma empresa suficientemente rica, nem mesmo a Microsoft, que possa lutar contra os talentos conjugados dos melhores programadores do mundo. Sobretudo se o fruto dos seus trabalhos for depois endossado por pesos-pesados da indústria.

Enfim, O assalto planetário: a face oculta da microsoft é um livro gostoso de ler, que nos dá a sensação de que estamos ameaçados mas ao mesmo tempo nos dá a esperança de que, se nos precavermos e nos reunirmos, poderemos escapar dos golpes monopolistas do mastodonte de Seattle.

Esperamos que o poder público se alerte, como o Ministério Público e o CADE, para que no nosso país tomemos alguma atitude para não ficarmos totalmente dependentes de uma única empresa estrangeira e monopolista. A sociedade civil também poderia se mobilizar, através das organizações não governamentais.

Referência bibliográfica

DI COSMO, Roberto; NORA, Dominique. O assalto planetário: a face oculta da Microsoft. Trad. Maria Filomena Duarte. Lisboa: Terramar, 1999. Título original: Le hold-up planétaire: la face cachée de Microsoft. Paris: Calmann-Lévy, 1998.

domingo, 16 de março de 2008

Acompanhamento do problema do ciclo de vida do HD no Ubuntu

O já famoso bug que certas distribuições Linux teriam, que afetaria bastante o tempo de vida dos discos rígidos em computadores portáteis, já foi amplamente discutido em artigo anterior e também no simaringa.com.

Uma das recomendações que fizemos a qualquer usuário intenso de computadores é que realize algum tipo de monitoramento dos dados oriundos do S.M.A.R.T. (Self-Monitoring, Analysis, and Reporting Technology ou tecnologia de auto-monitoramento, análise e relatório) do disco rígido. É o que tenho feito desde meados de dezembro. Coletei os seguintes dados até o presente momento:

Load_Cycle_CountDataObservação
4814818 dez. 17h25Linux Mint 4.0
4816120 dez. 14h10
4817121 dez. 09h09
4823321 dez. 23h26
4828427 dez. 14h22
4839807 jan. 10h59
4845410 jan. 20h00
4850515 fev. 20h35
4850615 fev. 21h25
4851618 fev. 21h35
4852720 fev. 22h08
4856725 fev. 22h22
4858204 mar. 19h12
4861912 mar. 09h04
4878814 mar. 09h42Ubuntu 8.04
4883015 mar. 07h53
4904016 mar. 02h00
4905216 mar. 03h07


Instalei na última quinta-feira (13 mar.) em meu computador portátil a distribuição Ubuntu Linux versão 8.04 LTS "Hardy Heron" alpha 6.

Embora a distribuição no estágio atual ainda não seja recomendável para ambientes de produção, e sim apenas para quem deseja testar e contribuir com relatórios de bugs, as emoções até agora nem foram tão fortes assim. Alguns bugs ainda atormentam bastante (não consigo acessar os terminais tty 1 a 6 com Ctrl+Alt+F1 por exemplo), mas tenho confiança de que serão logo resolvidos. O lançamento final dessa versão está marcado para 24 de abril. Ela será "LTS" (suporte de longo prazo) - a última desse tipo foi a 6.06 "Dapper Drake", de junho/2006.

De posse dos dados coletados, foi possível obter a informação importante, que é: quanto tempo de vida terá o disco rígido nesse ritmo de uso?

A propósito, ao invés de usar por exemplo a calculadora do Gnome, utilizei o terminal do Python para fazer os cálculos. Mesmo quem, como eu, não conhece a linguagem de programação, pode facilmente utilizá-lo como uma supercalculadora.


dalton@dalton-laptop:~$ python
Python 2.5.2 (r252:60911, Mar 12 2008, 13:36:25)
[GCC 4.2.3 (Ubuntu 4.2.3-2ubuntu4)] on linux2
Type "help", "copyright", "credits" or "license" for more information.
>>> diferenca = 49040 - 48506
>>> diferenca
534
>>> meses = 200000/diferenca
>>> meses
374
>>> meses/12
31
>>> 16-7
9
>>> diferenca = 49040 - 48788
>>> meses2 = 200000/diferenca
>>> meses2
793
>>> meses2 = 200000/(diferenca*15)
>>> meses2
52
>>> meses2/12
4
>>>


O que constatei foi que, se considerar os dados do último mês, o HD no ritmo atual chegará aos 200 mil ciclos (que dizem ser o limite) em cerca de 31 anos, sem considerar o tempo já usado. Lembrando que há muito tempo eu tinha feito uma correção no sistema que reduz a utilização do modo de economia de energia, apontada como a causa de problema, para o mínimo possível.

Depois fiz as contas apenas com os dados dos últimos dois dias. Como ainda não corrigi o tal do problema, foi possível avaliar que parece que não tem tanto efeito assim, considerando ainda que utilizei extensivamente a máquina nesse período: a espectativa de vida é de quatro anos, o que considero suficiente para algo portátil.

Algum craque em planilhas eletrônicas poderia utilizar esses dados para fazer cálculos mais apurados e gráficos. Se alguém o fizer, por favor compartilhe conosco. Se eu mesmo resolver fazer isso, certamente postarei aqui.

Resolvi eu mesmo fazer uma planilha com os dados coletados e gerei dois gráficos:
Gráfico 1 Gráfico 2


É possível perceber o grande incremento nos últimos dias. Obviamente devo fazer logo aquela correção para diminuir o uso do modo de economia de energia do disco-rígido. Contudo, devo acrescentar que nesse período coincidentemente utilizei muito mais intensamente a máquina do que anteriormente. Ficou ligada quase que o tempo todo.

Se alguém ainda quiser ajudar, poderia fazer gráficos com projeções futuras. Por isso, publico o arquivo da planilha sob a licença Creative Commons Atribuição/Uso Não-Comercial/Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil.